Mulher, tu agitou todo o oceano

Até hoje eu quis entender o motivo de você chegar dessa maneira. Uma espécie de Deusa do mar. Tu fostes contra todos os padrões já analisados, com toda a tua calmaria misturada sobre uma tremenda agitação. Trouxestes aqueles respingos do mar, aqueles dos quais são singelos e te fazem ficar presente no momento. Porém com o passar do tempo devastastes com as ondas mais turbulentas da vida. Não imaginei que iria navegar em águas tão límpidas, profundas, mansas, agitadas e todas as palavras das quais dariam para encaixar no “nosso” contexto.

E lá estava eu, com meu barco. Aquele espírito aventureiro que todos já tiveram uma vez na vida, algo do qual te faz habitar lugares desconhecidos. O medo? deixei de lado nos primeiros momento, segui rumo ao leste, porque era lá onde minha intuição disse que você estaria. E desatei as velas, colocando-as a favor do vento e dessa maneira fui fluindo. Pegando velocidade e foi inesperado o que aconteceu.

Foto do site:http://www.psicocast.com.br

Tu com toda a tua formosidade de mar, destes o primeiro passo, colocastes as ondas de maneira natural ao meu favor. E ainda dissestes: “Calma, eu já volto”– E desde quando eu sabia conversar com o mar?- Voltastes e já parecíamos parceiros de longas datas, isso parecia surreal aos olhos de um simples humano, todavia és desse jeito mesmo. Nos beijamos, olhamos nos olhos um do outro, sorrimos e eu pude soltar: “Finalmente estou viajando!”. Parecia aquele maestro com a sua orquestra. Pude ter a certeza que a melhor analogia seria essa. Você fez toda a minha orquestra ficar afinada em questão de horas. Toda a navegação ficou tão simples ao teu caminho do leste.

De fato, eu já devia ter noção que uma hora o temporal ia vir. Era questão de tempo. Só não imaginei com tamanha devastação. Eu não compreendi, diante de toda aquela calmaria do mar, fazeres tamanha arruaça com o nosso barco (se assim posso chamar). Jogastes tuas ondas mais bravas, agitastes todo o lugar, a água foi entrando e a sufoco também. Pois para mim era difícil te deixar seguir depois de todas as nossas horas juntos navegando um com o outro.

Repartistes todos as partituras da orquestra, desafinastes os instrumentos, quebrastes as cordas. E ainda por cima, queria que tocássemos de maneira maestra e só te pergunto: Como iria fazer isso? Te negastes, inventastes uma desculpa esfarrapada, uma história de pescador e simplesmente fostes embora.

Eu nesse tempo li vários livros, aprendi a lidar comigo, me tornei mais ainda minha melhor companhia, fiquei forte e tantas outras coisas boas. Aquele navegante aprendeu a ler os mapas e mudar seu destino. E por coincidência atrás do mapa estava uma frase.

” Mar calmo nunca fez bom marinheiro.
E não há tempestade que dure para sempre. “

Obrigado por tua tempestade, mar.

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